✍️AUTISMO NA INFÂNCIA: COMO DETECTAR E QUAIS MEDIDAS DEVEM SER TOMADAS
Por Ednalva Melo
Resumo
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) manifesta-se desde os primeiros anos de vida, impactando o desenvolvimento social, comunicativo e comportamental da criança. Este artigo apresenta, de forma objetiva, os principais sinais para identificação precoce do autismo, o papel da escola, da família e da sociedade, além das medidas que devem ser adotadas para garantir o desenvolvimento e a inclusão efetiva da criança autista.
Palavras-chave: Autismo, Infância, Diagnóstico precoce, Inclusão escolar, Sociedade.
Introdução
O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por dificuldades na comunicação, interação social e comportamentos repetitivos. O diagnóstico precoce é essencial para que a criança receba as intervenções adequadas. A negligência na observação dos primeiros sinais compromete o processo de aprendizagem e o convívio social. Nesta coluna, aborda-se de forma direta e técnica como detectar o autismo na infância e quais ações devem ser tomadas por parte da escola, família e sociedade para assegurar o direito à inclusão e ao desenvolvimento integral.
Desenvolvimento
1. Identificação precoce
Detectar o autismo na infância exige observação atenta dos marcos do desenvolvimento. Crianças com TEA costumam apresentar atraso na fala, ausência de contato visual, pouca ou nenhuma resposta ao nome e dificuldade em compartilhar interesses. Além disso, podem demonstrar movimentos repetitivos, resistência a mudanças e hiperfoco em objetos ou atividades específicas.
O diagnóstico não deve ser feito apenas por observação leiga. A avaliação multiprofissional — envolvendo neurologista, psicólogo, fonoaudiólogo e psicopedagogo — é fundamental para confirmar o quadro e traçar o plano de intervenção.
2. O papel da escola
A escola é um espaço determinante para a identificação de sinais e para o acompanhamento do desenvolvimento da criança. Educadores capacitados são capazes de observar comportamentos atípicos e comunicar à família de forma ética e técnica. O ambiente escolar deve promover estratégias de ensino individualizadas, com adaptações curriculares e acompanhamento especializado, conforme previsto na Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015).
A escola que se omite diante das necessidades da criança autista incorre em negligência pedagógica e institucional. Cabe à gestão escolar adotar políticas de formação continuada e garantir recursos para o Atendimento Educacional Especializado (AEE).
3. Responsabilidade da família
A família tem papel central no processo diagnóstico e terapêutico. É dever dos responsáveis buscar acompanhamento profissional assim que os primeiros sinais surgirem. A negação do quadro ou a tentativa de “normalizar” comportamentos atípicos apenas adiam o acesso aos direitos e às terapias adequadas.
O acompanhamento familiar deve incluir orientação psicológica, capacitação sobre o transtorno e envolvimento nas intervenções pedagógicas. A família informada e participativa é essencial para o avanço da criança.
4. A função da sociedade
A sociedade ainda carrega estigmas em relação ao autismo, muitas vezes tratando a criança autista como incapaz ou isolando-a dos espaços de convivência. É preciso quebrar esse ciclo por meio da informação e do respeito às diferenças. A inclusão não se resume a aceitar a presença da criança, mas a oferecer condições reais de participação e aprendizado.
Campanhas públicas, programas de conscientização e políticas sociais de apoio às famílias autistas são medidas urgentes para reduzir o preconceito e ampliar as oportunidades de desenvolvimento.
5. Medidas cabíveis
Entre as medidas cabíveis, destacam-se:
Adoção de protocolos de triagem precoce em creches e escolas de educação infantil;
Formação continuada de professores sobre TEA e práticas inclusivas;
Criação de centros de referência municipais para diagnóstico e intervenção;
Garantia de terapias multidisciplinares pelo Sistema Único de Saúde (SUS);
Cumprimento da legislação educacional inclusiva, assegurando acompanhamento especializado em sala de aula.
Essas medidas são instrumentos legais e sociais que visam garantir à criança autista o direito ao aprendizado, à convivência e ao desenvolvimento humano pleno.
Conclusão
Detectar o autismo na infância requer responsabilidade compartilhada entre escola, família e sociedade. A ausência de diagnóstico precoce e de ações concretas constitui omissão grave. O compromisso com a inclusão vai além da teoria: exige prática pedagógica eficaz, políticas públicas consistentes e envolvimento social. A criança autista tem direito à educação, ao respeito e ao reconhecimento de suas potencialidades. Ignorar esses direitos é negar o princípio básico da dignidade humana.
⚖️ Por Ednalva Brito de Melo
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Publicado em novembro de 2025.
✍️12 de novembro de 2025
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